29
de
outubro
Bão, educação…
Bão…
O que dizer?
Ontem, de madrugada, na TV Câmara, eu vi uma senhora, de nome Jaqueline Moll, representante do Ministério da Educação, expor os planos para a aprovação da lei do ensino em tempo integral neste paízeco.
Mais Educação.
Só vendo para crer. Será que realmente, aquela mulher, que espero ter uma formação acadêmica em educação, que é representante do MEC, será que realmente ela acreditava no que dizia?
Só vendo para crer. Esse é um problema real, o debate. Cada ponto que ela explanava do projeto (transmitido em PowerPoint numa parede em Brasília) era completamente e inteiramente questionável.
Chegando ao absurdo de dizer que era preciso acabar com o mito de que não se pode fazer escola de tempo integral por falta de estrutura, dando o exemplo de Recife, onde a secretaria de educação local, tendo em vista o alto-custo da construção e manutenção de uma piscina na escola, firmou acordo com os clubes locais para que as crianças tenham aula de natação. E o pior: O belo exemplo de uma escola que ela visitou (e almoçou uma comida deliciosa com crianças felizes) que não tinha um refeitório, então improvisando-se na entrada, perto da secretaria da escola, um local para as crianças comerem. Funcionou muito bem, nas palavras de Jaqueline.
Dizia tantas coisas a serem feitas. Coisas que Paulo Freire já disse há cinqüenta anos. Coisas que todos os pedagogos dizem e já disseram que precisam ser feitas. E mais, coisas que já são leis neste paízeco.
O que falta, sempre, o governo falar, é como se faz todas essas coisas. Na prática. Ali. Na sala com 35 alunos no mínimo.
E ninguém, porra, nunca fala em COMO melhorar a formação acadêmica dos professores, neste paízeco onde qualquer um com magistério podia lecionar até bem pouco tempo. Ninguém fala em DOBRAR o salário dos professores. NINGUÉM fala em salas de aula com 20 alunos.
Três pontos cruciais. E fáceis de resolver. Só que custam efetivamente dinheiro.
O resto é mera especulação.
E Ensino em tempo Integral é outra história. Muito Boa. Para ser discutida quando os problemas atuais forem sanados. Para quando o governo quiser gastar mais de R$ 1.269,00 por aluno ANUALMENTE (Educação infantil no SUDESTE, R$ 560,00 no NORDESTE).Bem mais.
Para quando um aluno custar mais, bem mais, do que um presidiário, neste paízeco.
Quem sabe assim, uma professora não mais segure um aluno com as mãos para trás, incentivando às demais crianças a espancarem o menino bagunceiro, como vimos acontecer ontem em Ceilândia.
Ceilândia que, aliás, é vizinha de Brasília.

