AssimAssado

Tudo sobre tudo.

30

de
outubro

Devagar…

A vida anda.

Vai.

Recomeça todo dia.

 

Atualmente, para mim, cada dia acaba muito diferente do o que acabou ontem.

(Adorei esse artigo de referência "o". Ele existe? Eu sei que "daquele" ficaria melhor, mas ele existe?)

 

Tenho a suave impressão que acabam muito diferente porque meus dias têm sido muito iguais. Acabam sempre iguais, fisicamente falando. E por serem tão iguais, replanejo hoje algo que me parecia bom e coerente ontem. Mas a continuação daquele sentimento não continuou; o dia não evoluiu e a verdade não se concretizou. Então deixa de ser coerente e replanejo tudo, mudando completamente os pensamentos que pensava antes de dormir ontem.

O dia então, acaba bem diferente do outro, tendo sido completamente igual.

 

Sabe aquele papo de tenho uma mala cheia de planos…?

 

Na época da adolescência eu não tinha essas dúvidas. Tinha algumas bem mais gostosas.

 

O teclado está desenvolvendo calos nas teclas tamanha a força que coloco nesta digitação. Porque pode não parecer, para ninguém, inclusive para mim, mas esse assunto me deixa muito nervoso.

Tem um livrinho que eu comprei há muito tempo, muito baratinho,  e que até hoje não li. Do Engels. "A origem da família e da propriedade privada."

Vou lê-lo.

Adesso.

Boa Noite.

 

29

de
outubro

Bão, educação…

Bão…
O que dizer?
Ontem, de madrugada, na TV Câmara, eu vi uma senhora, de nome Jaqueline Moll, representante do Ministério da Educação, expor os planos para a aprovação da lei do ensino em tempo integral neste paízeco.

Mais Educação.

Só vendo para crer. Será que realmente, aquela mulher, que espero ter uma formação acadêmica em educação, que é representante do MEC, será que realmente ela acreditava no que dizia?

Só vendo para crer. Esse é um problema real, o debate. Cada ponto que ela explanava do projeto (transmitido em PowerPoint numa parede em Brasília) era completamente e inteiramente questionável.

Chegando ao absurdo de dizer que era preciso acabar com o mito de que não se pode fazer escola de tempo integral por falta de estrutura, dando o exemplo de Recife, onde a secretaria de educação local, tendo em vista o alto-custo da construção e manutenção de uma piscina na escola, firmou acordo com os clubes locais para que as crianças tenham aula de natação. E o pior: O belo exemplo de uma escola que ela visitou (e almoçou uma comida deliciosa com crianças felizes) que não tinha um refeitório, então improvisando-se na entrada, perto da secretaria da escola, um local para as crianças comerem. Funcionou muito bem, nas palavras de Jaqueline.

Dizia tantas coisas a serem feitas. Coisas que Paulo Freire já disse há cinqüenta anos. Coisas que todos os pedagogos dizem e já disseram que precisam ser feitas. E mais, coisas que já são leis neste paízeco.

O que falta, sempre, o governo falar, é como se faz todas essas coisas. Na prática. Ali. Na sala com 35 alunos no mínimo.

E ninguém, porra, nunca fala em COMO melhorar a formação acadêmica dos professores, neste paízeco onde qualquer um com magistério podia lecionar até bem pouco tempo. Ninguém fala em DOBRAR o salário dos professores. NINGUÉM fala em salas de aula com 20 alunos.

Três pontos cruciais. E fáceis de resolver. Só que custam efetivamente dinheiro.

O resto é mera especulação.

E Ensino em tempo Integral é outra história. Muito Boa. Para ser discutida quando os problemas atuais forem sanados. Para quando o governo quiser gastar mais de R$ 1.269,00 por aluno ANUALMENTE (Educação infantil no SUDESTE, R$ 560,00 no NORDESTE).Bem mais.

Para quando um aluno custar mais, bem mais, do que um presidiário, neste paízeco.

Quem sabe assim, uma professora não mais segure um aluno com as mãos para trás, incentivando às demais crianças a espancarem o menino bagunceiro, como vimos acontecer ontem em Ceilândia.

Ceilândia que, aliás, é vizinha de Brasília.

29

de
outubro

Saramago estava certo. De novo.

Qual a relação existente entre a violência nas favelas cariocas, a exploração da vida humana na África pelas cias. farmacêuticas e uma cegueira que caracteriza-se como branca que atinge todo o mundo?

Essa é fácil; o cineasta brazuca Fernando Meirelles.

São os três temas de seus últimos três filmes.

Começo por dizer que sempe existirá a cobrança em cima de um cara que fez algo sensacional para que seu próximo trabalho seja também sensacional. E o homem encarou o desafio. E venceu o desafio. São três filmes de alto nível. Técnico, intelectual e social.

E os dois primeiros caracterizaram-se por cair nas graças da grande mídia. Refiro basicamente agora aos Estados Unidos de la America. Onde os dois filmes tiveram boa aceitação do público e crítica, recebendo inclusive 4 indicações cada um ao oscar. E a mocinha do segundo filme levou. Justérrimo. 

Agora, o teceiro filme.

Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Talvez a maior fábula já escrita em língua portuguesa. Uma metáfora precisa e justa com a vida humana sobre este planeta.

Justa porque iguala todo mundo. Justa porque é branca. Justa porque faz justiça sobre o comportamento dos homens e mulheres uns para com os outros. E no final, somente no final, revela-se: brincadeirinha!, Ninguém tava cego!, Foi só impressão!

E sobre o terceiro filme houve boicote na Disneylandia. Porque onde já se viu, retratar os cegos dessa maneira! Nós, da Federação Nacional de Cegos se pronuncia contra este filme, por denegrir a imagem dos cegos, tratando-os como imorais, e de comportarem-se como animais!!!

"O filme retrata as pessoas cegas como monstros e isso é mentira. A cegueira não transforma pessoas decentes em monstros".

Palavras do presidente da tal agremiação.

Realmente, a cegueira não é uma alegoria inteligente para retratar os males da sociedade.

Porque não é nem uma alegoria.

É uma real situação social.

Gente, será que nunca ouviram aquele ditadozinho infame, "O pior cego é aquele que não quer ver".

Deveria estar escrito em letras douradas na fachada da tal federaçãozinha. Justamente para diferenciar uma situação social coletiva de uma deficiência física individual.

E o povo não foi ao cinema, e os que foram saíram à metade. É muito forte né.

Mas peraí: Ou não estamos falando dos mesmo filmes? As cenas de Cidade de Deus e Jardineiro Fiel são muito mais violentas, com mais sangue? Tudo bem que a nojeira é forte no Blindess, mas com certeza morrem mais pessoa (E o número de pessoas mortas definitivamente determina o grau de violência de uma situação) nos dois primeiros filmes.

A Questã, como diria minha mãe, a questã, está talvez pode ser no fato de City of God and The Constant Gardner serem sensacionais. E mais, serem até sensacionalistas! Sim! É um show! O espetáculo da vida!

Lá na Favela carioca o show do tiroteio, do Sangue, da galinha! É bem parecido com Tróia!

Ou na longínqua África, onde as Empresas Farmacêuticas do Norte, Destroem lares e famílias inocentes!

É entretenimento indigesto. Mas entretenimento. Porque pessoas malvadas que eu não sei quem são, lá longe, estão maltratando pessoas boazinha, lá longe, que eu nem sei quem são. Então assistimos.

MAs nesse filmezinho aí, os personagens não tem nome, não se menciona a cidade (E não mostra a estátua da liberdade. Onde já se viu filme de destruição em massa em que a cabeça da estátua não saia rolando por aí?) e se fala inglês (e não norte-americano), Mas poderia se falar em qualquer língua. Em português foi onde tudo começou. Poderia ser em qualquer cidade. Inclusive N.Y.. E poderiam ser quaisquer pessoas, os personagens do filme.

Incusive eu.

Aí fudeu.

E o povo americano, perdão, norte-americano, é burro, mas é inteligente. Pelo menos para entender uma metáfora. E se incomoda com a própria cegueira. (Tudo bem, pode ser que os representante daquela comunidade de cegos não entendam, mas eles são cegos confessos há duas semanas, fazer o que?)

Continuando depois de cutucar mais uma vez os pobres cegos da América do Norte…

E se incomoda coma própria cegueira na tela. E vai embora do cinema e não recomenda para ninguém.

Ficar sofrendo para que?

Minha vida já é muito dura.

Agora eu só quero ir no cinema e assistir Beverly Hills Chihuahua.

Final de semana é para dar risada e esquecer dos problemas.

Ficar sofrendo para que?

 

 

Parabéns Robin Meirelles e Saramago Hood. Acertaram a flechada bem no coração da cegueira.

Lá, meu bom velhinho, o contágio vai mais depressa do que cá.

 

 

 

 

 

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