AssimAssado

Tudo sobre tudo.

13

de
fevereiro

Cinema

Este domingo foi atípico; assisti dois filmes seguidos no espaço (caixa 2) Unibanco. Ano passado inteiro fui, no máximo, duas vezes ao cinema.

O primeiro filme foi O CÉU DE SUELY, que no linguajar popular, nem fede, nem cheira. Dirigido por Karim Ainouz, o longa foi filmado com a preparação de atores de Fátima Toledo. No final do filme, ao subirem os créditos, eis minha surpresa; os atores tinham o mesmo nome  de seus personagens!

E algumas coisas explicaram-se. Tratava-se, como confirmado por uma colega, de um trabalho com não atores. E aí alguma coisa fica estranha.

Falta força. Ponto. A preparação consegue coisas interessantes dos "atores", mas essas coisas limitam-se aos picos de exaltação dos personagens. Quando o filme tem de seguir, cai em um quase vazio, porque um não ator sofre para tirar detalhes de cenas simples. Suprido por muitos ruídos, o filme tem poucos diálogos, criando uma linguagem interessante, bem como evita maiores cenas dos "atores".

O ritmo do filme é lento, não chegando a ser desinteressante. Mas é lento.

A história  não é espetacular, e para contá-la sobraram (e talvez faltaram) cenas.  A necessidade da personagem central não fica latejante como pede para ser. Fica tímida em sua dor, mas talvez seja um ponto para o filme; A personagem não sabe o que faz, mas mesmo assim segue adiante.

Enfim. Não é ruim. Muito menos bom. Não acrescenta nada.

E esta é uma opinião medíocre e unilateral. Precisa de mais gente.

 

O outro filme foi PRO DIA NASCER FELIZ, outro brasileiro, desta vez documentário.

E eu ainda estou achando palavras para descrevê-lo…

Suicidador, talvez…

 

Não sei, volto aqui outro dia para falar..

 

9

de
fevereiro

Configuração e Controles

A deste blog. terra é uma merda.

9

de
fevereiro

Humano_Des

Adolf Hitler era um humano.
Edson Arantes do Nascimento é um outro.
Madre Teresa foi um outro. De outro sexo, claro, mas mesmo assim um ser humano.
Os bandidos que arrastaram um menino de sete anos por sete quilômetros na Zona Norte do Rio de Janeiro até a morte também são.
Nessas horas, a pena de morte é novamente exigida pela sociedade. Ouvimos no ponto de ônibus, nos bares, em nossos lares. Pode ser que todos esses já anseiem pela pena fatal, mas é apenas nessa hora que se manifestam. A afirmação é que não há cadeia que melhore o caráter e a conduta do vagamundo, e que ele merece morrer. Em alguns casos, ser castigado com o mesmo crime que cometeu.

Estupradores castrados, Arrastadores arrastados.

Até a morte.
É tanta indignação, que a morte do criminoso é a melhor saída. E hoje em dia, na cidade em que vivemos, talvez realmente seja.
Matar um ser humano.
MAS ELE NÂO TEM HUMANIDADE NENHUMA!!!
Tem. Tanta quanto eu, você, a Xuxa ou o Mike Tyson.

A questão não é se a pena de morte é a melhor saída. E nenhum ser que vive nesta época violenta é isento o suficiente para discutir com racionalidade e justiça tal questão. A questão é: Tem cura ser humano?

Nascemos todos com as mesmas potencialidades (em exceção os seres especias, que tanto nescessitam de nossa ajuda), somos diferenciados pelas opotunidades. O problema do ser humano é justamente ser humano. Como criar e cuidar de uma mente, com tantos potenciais? E 30 mentes, dentro de uma sala de aula?
Quando chega nos jornais, no ponto que chega, no mundo contemporâneo, ela já está criada e tratada. A mente. Mas insisto que não adianta discutir se a pena de morte é viável ou justa. Por incrível que pareça, esse problema (do menino arrastado), é o menor. Lógico que os pais não tem mais vida viva. Mas é um caso particular. Para quem quer ajudar a humanidade, seria mais interessante gastar energia pensando (e agindo) para que esses casos não se repetissem. Ficar esbravejando por uma vida que não vai mais voltar, e SÓ exigir punição, sinceramente, não vai adiantar.
Eu não sou assassino. Os culpados tem que pagar pelo que fizeram (embora nada, absolutamente, devolverá o filho aos pais).
Mas me preoucupo mais com a (falta de) educação e a cultura.
Olho pra frente.
Por que não quero, em sangue e lágrimas, que isso ocorra com mais ninguém.

Seres humanos são complicados e complexos.
Se forem tratados com descaso então, o perigo é físico. É mortal.
Olhemos, e não oremos.

8

de
fevereiro

Escolhido

Quer rir leia gente.

 

Quer morrer de rir? Olha o que eu vejo.

8

de
fevereiro

Gente

Gente.

Eu os vi.

Há certas coisas sobre a dubialidade do ser humano que me interessam.

É racional, e por sê-lo, reprime o seu lado institivo. Reprime no setindo de profaná-lo. Depois sozinho no quarto santifica-o, sem saber, achando ainda que é profano.

Admiro muito o mundo de hoje. Penso que deve ser o melhor até hoje vivido, desde quando o homem procriou-se. As mulheres serem o que são hoje é fascinante, nunca antes visto, e mesmo assim, ainda são subjugadas. O instinto da animalidade predomina a força masculina. Do macho pra caralho. Embora o racional nos aponte claramente o caminho.

Na noite de 6 de fev de 2007, o JN (Jornal Nacional) reportou sobre uma pesquisa encomendada pelo governo, que avaliava os quatro anos do projeto para ensino de educação sexual nas escolas brasileiras.

O projeto, dentre outras funções, distribui camisinhas (além, é claro, de explicar seu funcionamento.)

Quem as usará, provavelmente, serão os jovens que as recebem. E desses, 87% aprova a distribuição. Como não poderia deixar de ser, 52% dos pais aprovam a distribuição, enquanto para os professores, este número fica em  57%.

É lógico que os mais inteligentes são os jovens, isso eu não precisaria dizer. Nas palavras de uma mãe entrevistada, a escola não deveria fazer isso, pois incentiva o sexo.

Todos transam. E é bom. Se não é bom, algum problema tem.

Mas o jovem, que está com os hormônios a flor da pele, descobrindo-se, quando beija uma boca desejada desespera-se por um pouco mais. Este jovem não tem culpa alguma se seus pais não sabem o que é sexo.

A escola toma o seu lugar de construção. De auxílio. De desmachilização da espécie. Dos mais antigos, pouco mais da metade aprova a distribuição, e quando a aprovação refere-se simplesmente às aulas de Educação Sexual, este índice aumenta um pouco.

AIDS não se pega com espirro e nem na Globo  menina engravida de Boto.

Vivemos num mundo assim e assado. Resta-nos a inserção (e não adaptação - obrigado Dr. Freire) nele. Este projeto é uma atitude louvável do governo Lula.

Enquanto isso, no reino EUA - USA, existe um cargo criado desde o primeiro dia do governo Bush; ACF (Adminitração para Crianças e Família). A grana para isso já existia desde de Bill Clinton, o presidente tarado. eram U$50 milhões. Agora, bushamente, passou para U$170 milhões. São projetos, que entre outras coisas, ensinam jovens a se manter virgens até o casamento. Jeff Trimbath, o responsável pelos programas, é carinhosamente chamado de Ministro da castidade. Casou-se aos trinta anos, virgem, com sua mulher, de 30 anos, virgem.

Mas lá é um país de primeiro mundo e a realidade é bem outra.

Paro por aqui.

7

de
fevereiro

Olha o que eu Vejo

“Professor, olha, o que eu vejo de sua pessoa é, que, a sua pessoa coloca pessoas no lugar de pessoas e não só de uma unidade no mundo
Você é a quela pessoa que acorda, quem está dormindo
Você é quem dá insentivo para outras pessoas.
Dê para mim o que queira dar, o mundo vai ser o mesmo para mim
Comtinui a mesma pessoa que é
Boa Sorte.
Vicente

Quero o C e nada maiz”
- José Vicente da Silva

“E se alguém te disser ta errado ou errada.
que não vai ésse na cebola, que não vai ésse em feliz,
que o xis pode ter som de zê, e o cê agá pode ter som de xis,
Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz”.
- Fernando Anitelli –Teatro Mágico

O primeiro texto em destaque é resultado de um processo. O segundo, a última estrofe de uma canção de um grupo artístico chamado Teatro Mágico.
Pedi aos estudantes (tento chamá-los assim; demonstram interesse quando lhes é esclarecida a etimologia da palavra aluno) do EJA (Ensino de Jovens e Adultos) de ensino médio da Escola Estadual Tarcísio Alvarez Lobo (EETAL), no bairro do limão, em São Paulo, que se auto-avaliassem no processo de aprendizagem por eles percorrido ao longo dos quatro meses do segundo semestre de 2006, na disciplina Artes. A maioria (esmagadora) dos estudantes, além da auto-avaliação, avaliaram também o professor e a dinâmica da aula. Não foi preciso pedir-lhes. Algumas dessas avaliações foram registradas, e a que inicia este artigo chamou-me a atenção. É uma fiel transcrição, com eventuais erros ortográficos, do estudante supracitado.

Alguém me diz, Eu bebo, e falo pra minha filha, fica longe disto. Teu pai é burro e ta estudando só agora. Você tem a oportunidade de estudar. Então estuda.

Outro alguém diz, para uma trupe de atores, Olha, é a primeira vez que eu venho ao teatro e eu estou emocionado. Gostaria muito que minha filha estivesse ao meu lado, por que tudo que eu vejo e acho importante eu gosto de dividir com ela. Parabéns a todos vocês.

Um outro alguém me confessa, Eu tenho uma filha de 15 anos, linda. O meu menino quando tinha 13, foi esmagado na Marginal (Tietê). Tive uma filhinha agora, faz 10 meses, que é a coisa mais linda do mundo. Minha mulher foi embora, e a minha filha mais velha eu dificilmente vejo. As coisas vão acontecendo, não dá para impedir.

O que mais me intriga é a capacidade de um ser humano reconhecer o amor e o trabalho no meio da lama. “Esta é uma das significativas vantagens dos seres humanos – a de se terem tornado capazes de irem além de seus condicionantes” ¹. Do lado de lá não sei como funciona, mas posso falar do lado de cá, o professor, que é onde me encontro, e acredito não haver tantas diferenças no plano das sensações.
O que é educação? Senhores professores, quem são? O que ensinam? Para que ensinam o que ensinam? Ensinam? Ensinamos? É preciso re-significar a profissão. Revalorizá-la (na intenção de que um dia teve valor). E se nunca teve, valorizemos agora. Falo em valores totais. Financeiro, ético e construtivo. Quem, ou o que constrói, senão a educação? Comecemos pela formação. A batalha entre formar (moldar) x formar (construir), discutida por Paulo Freire. Um problema semântico, que se ficasse restrito ao campo gramatical seria bem menos sério. Mas é com o que nos deparamos na salas de aulas. Quem são os professores dos futuros professores? Um detalhe primordial. Onde começa o aprendizado dos educadores? Onde e como. Não acredito, realmente, que seja satisfatório. A partir
do momento que dermos atenção a educação, evoluiremos. E essa atenção desmembra-se em muitas ações que são necessárias.

Discurso afinado, vamos a luta. Classes esvaziadas. Muitas classes para os professores não perderem aula. A direção é amiga dos professores. E inimiga da educação. Somos seres que aprendemos por cópia; assim aprendemos a andar e falar. Assim aprenderemos a agir e nos comportar. Os estudantes refletem professores, que refletem coordenação pedagógica, que reflete direção, que reflete política educacional. Este é o retrato da escola acima citada, que foi onde lecionei durante o ano de 2006.

A boca necessita a fala. Sim, somos espelhinhos, mas eu não quero compartilhar da suja gerência do mundo. Nos aniversários, geralmente, desejamos Paz amor e saúde aos aniversariantes. Troquei o paz por justiça recentemente em meus cumprimentos. É dessa revalorização que falo. Engrandecer a profissão, tornando-a crítica.

O que é opressão? Dêem-me três casos de opressão. Teatro do Oprimido. Teatro vira resistência. Vira consciência. Quatro meses é pouco para construir algo, mas é tempo suficiente, como constatado pelas avaliações na maioria das salas, para iniciar essa construção. São bem úteis, as auto-avaliações.

É preciso dizer, contudo, que a transcrição desta avaliação não reflete o processo de todas as turmas (8, no total). E nem poderia. Cada classe teve uma relação diferente comigo, e é preciso primeiramente ter ciência disto. Em algumas tive bastante dificuldade. Não coube a mim, professor, decidir se as aulas seriam agradáveis ou sofríveis. Muito menos foi papel dos estudantes definirem questão tão complexa. Foi a soma das duas partes, pois sabemos ser impossível relacionar-se sozinho. Não há aula que não comece em diálogo que não comece morta. O diálogo tem de ser o ponto de partida e o fio condutor dos encontros. Pelos mais variados fatores, o diálogo não se estabeleceu em alguns (poucos) casos. Tempo, desinteresse, cansaço noturno, baixos salários. É preciso estar atento, observar, tentar entender os motivos, e em próximas possibilidades, não pisar nas mesmas madeiras podres.

Houve um caso em que o diálogo estabeleceu-se durante o percurso neste período. Todos os alunos da escola estavam acostumados a sair na última aula, quando muito assistir aos primeiros quinze minutos dela. Em uma dessas fatídicas noites, eu estava em uma sala, o 2º TB, e no momento que entrei na sala, alguns estudantes já estavam querendo sair, outros inclusive chegaram a fazê-lo. Percebi que precisava estabelecer uma aula dinâmica. Comecei a contar então uma estória, que fala sobre conformismo e continuidade; da “não-mudança”. No meio da estória, alguns levantaram e saíram na minha frente, outros faziam brincadeiras pedindo para acabar logo a estória. Quando a voz deles começou a sufocar a minha, calei-me. Sentei à mesa, peguei o diário, e neste momento eles perceberam e vieram correndo para pegar presença e sair. Fui o último a descer, e quando passei pela entrada da recepção, estavam todos lá esperando, pois foram impedidos de sair antes das 22h45 min. Disse-lhes: “Obrigado por não terem ficado na sala para ficarem aqui embaixo.” Algumas tentativas tímidas de questionamento pipocaram, mas eu disse que não estava aberto a diálogo naquele momento; que eles fossem para casa e pensassem sobre o ocorrido. Na semana seguinte eu entrei na sala e nada ocorreu. Deram-me bom noite; o episódio estava passado. Como todas as outras coisas eram passadas por cima, era assim mesmo e não precisava mudar. E a estória que eles não quiseram ouvir falava sobre conformismo! Ao pronunciar que tinha me sentido ofendido, os estudantes questionaram a minha ofensa, e sentiram-se ofendidos por me ofender. Brotou então, como não poderia deixar de ser a razão do nosso conflito, e logo após, o entendimento. Disseram que também sentiam-se ofendidos quando vinham para a escola e não tinham professor na sala de aula, encontravam tudo sujo. E perceberam que a culpa não era minha e que eu estava do lado deles. Recontei a estória sobre conformismo e continuidade. Alguns estranharam, uns se reconheceram e outros adoraram. Estabelecemos um combinado e o tão necessário (e indispensável à prática docente) diálogo.

Há uma feliz coincidência por aqui; o ponto de partida da arte também é o diálogo. O que motiva um artista a produzir? A arte é dialógica, na medida que pretende comunicar, ser vista. Do contrário, afirmo, não é arte. É um princípio de, adormecido, esperando seu contato com o público.

Por sermos artistas, temos mais facilidade então para dialogar e construir. E acredito nisso. Para quando se deparar em uma classe de periferia, explicar que futebol não é arte, explicar a diferença entre esporte e música. Aprender a ser tolerante, a reconhecer o erro, e o mais importante, perceber que a sua arte pode ser relevante. Teatro do Oprimido. Algumas coisas seguirão inexplicáveis. Quatro meses é pouco para construir algo, mas é tempo suficiente para iniciar essa construção.
Olha o que eu vejo.
Há descaso para com a educação.
Há vida na periferia.
Vida inteligente burrificada. Vedada. Amordaçada.

Todos somos seres e temos algo a dizer. E isso é o que mais gosto de ter aprendido. Sejamos autônomos. Geremos a autonomia.

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1 - FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – Saberes necessários à prática educativa.. São Paulo: Paz e Terra, 2006, 33ª edição. Pg.25.

6

de
fevereiro

Foi

Está inaugurado, a partir deste momento, o tão esperado (por mim pelo menos) Blogo AssimAssado.

Redigido por mim, Beto Bellinati.

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